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A ROSA E VALLUAR
- ANA DOMINIK
Nas mãos uma
rosa vermelha morta apertada com sofreguidão...
Ele se vestia nobre. Veludo abaixo dos joelhos, vinho, as mangas
muito largas bordadas em prata, denunciavam sua atmosfera singular e
elegante.
Valluar, jovem de cabelos lisos e pretos, ainda se esforçava por
inspirar o perfume sutil que a flor guardava. Ele a escondera entre
as páginas de um livro velho, e as folhas, já comidas pelas traças e
amareladas pelos séculos, eram a “casa” de sua rosa preciosa.
Valluar homenageava a alma de sua noiva falecida há mais de cem
décadas.
Numa noite de lua pálida, com sua rosa, Valluar decidiu tocar seu
violino. E enquanto dedilhava a música vampiresca, via ele,
envolvida pela Morte, sua noiva; bela, pura, fria...
O amanhecer apontou no céu profundo... As vidraças abertas, o
violino caído no chão, a rosa envelhecida, o livro todo
empoeirado... A ausência de Valluar...
Nos pés da cama de viúvo alta, um monte de pó dentro do veludo vinho
que o nobre usava. E no seu quarto, um aroma intenso e forte de
âmbar saía da flor vermelha.
Foi a primeira claridade que Valluar deixou entrar.
BIOGRAFIA:
Ana Dominik nasceu no Brasil, Rio de
Janeiro. Formou-se em jornalismo e tem um livro publicado, Vento no
Poente. Participa freqüentemente do Fanzine Terror Zine e do site
Divulga Livros. Seus escritos têm uma temática sombria, profunda e
luminosa ao mesmo tempo. Atualmente trabalha escrevendo. Contato:
ana.drink@gmail.com e
finster@clix.pt
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